É impressionante como muitas pessoas confundem a vida pessoal do acusado de um crime, com a vida do seu advogado. Aceitar defender um acusado não implica dizer que o seu defensor concorde ou esteja de acordo com as atitudes do seu cliente. Infelizmente, a opinião pública parece desconhecer o essencial direito à defesa, exceto quanto se tratam de si próprios.
Precisamos acabar com o senso comum de muitos que acreditam que o advogado do acusado, também deve ser considerado um "bandido". Ora, um médico poderia deixar de dar atendimento a um assassino cruel que levou um tiro da polícia? O psicólogo se torna pedófilo ou criminoso por participar de tratamentos de pessoas assim? Então, por que seria imoral ou incorreto um advogado aceitar a defesa de criminosos?
Não posso conceber e nem acreditar que uma profissão essencial à justiça, garantia da própria Constituição, seja tão desrespeitada e pressionada a ponto de sofrer repúdios públicos por populares, quando de sua atuação como defensor. Em especial quando se tratam de Júris. Temos como exemplos recentes o advogado Roberto Podval que foi hostilizado por populares em frente ao Fórum por ser advogado de defesa do Casal Nardoni e Márcio Thomaz Bastos, ao aceitar a defesa de Carlinhos Cachoeira.
Não podemos mais aceitar este tipo de prática que insiste em querer julgar o advogado de defesa, colocando-o na mesma fogueira da punição que deve ou não ser aplicada ao seu cliente. É inadmissível! Cabe a consciência de cada advogado decidir se aceita ou não a defesa de um cliente, seja ele criminoso ou não. E não simplesmente decidir pela pressão da mídia ou da opinião pública que está mediocrizada por esta própria mídia que insiste em tentar ser um poder paralelo, onde acusa e julga as pessoas ao mesmo tempo!
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